Ao tentar explicar a um amigo como a pós-modernidade está influenciando a comunicação e como a comunicação está influenciando a sociedade nos dias de hoje, ele me perguntou se não era algo mais ou menos como fizeram com os escravos, na época da colonização. Trazer negros de diversas tribos – em alguns casos, tribos rivais – e “jogar” em terras tupiniquins para trabalhar e ver no que dá. Sem contar, claro, a mistura com índios, portugueses, holandeses e, algum tempo depois, italianos, alemães e japoneses.
É evidente que a escravidão nos trouxe problemas que ainda hoje tentamos resolver, mas esta mistura de diversos ingredientes produziu um bolo de sabor único. Nós nascemos descentrados – palavra para explicar qualquer coisa pós-moderna – e ainda hoje não possuímos uma identidade própria porque temos várias identidades para escolher. Na sacola recheada de identidades, como qualquer pessoa que vai ao shopping com um cartão de crédito sem limite, é difícil escolher apenas uma, o que nos permite ter a característica que nos convém para cada situação.
Isso explica por que aceitamos de forma natural algumas mudanças na estrutura de nossa sociedade, como as Lan-houses nas favelas. E não apenas as Lan-houses, mas qualquer baile funk carioca ou soundsystem nas periferias de São Paulo possuí equipamentos que não custam menos de $1.500.00 dólares. Tão interessante quanto ter acesso a esse tipo de equipamento, é a forma como esses grupos estão produzindo suas músicas: sejam sampleando músicas antigas e misturando com novas batidas que nos remetem ao miami bass, misturando samba com hip hop ou maracatu com rock e reggae jamaicano, o importante é que essas pessoas estão realmente produzindo. Pode-se questionar o gosto, e isso vai da sensibilidade de cada um, mas é inegável uma mistura culturalmente rica e em muitos casos muito boa de ouvir
