A fragmentação das audiências

Eu não lembro onde li, mas certa vez vi alguém reclamando que não há mais campanhas memoráveis como antigamente, daqueles que as pessoas comentavam nas ruas e com os vizinhos. De fato, mas acredito que esse fenômeno não acontece apenas com a publicidade.

A cada nova novela, a globo enfrenta problemas com sua audiência que é cada vez mais baixa. Os jornais impressos têm cada vez menos leitores – esse fenômeno não acontece no Brasil, mas por outras razões – e sua receita diminui, ao ponto de grandes jornais fecharem as portas.

A publicidade tenta seguir o ritmo frenético das mudanças tecnológicas, mas a metáfora do surfista muitas vezes não é utilizada pelas agências. Ser o primeiro pode ser o sinônimo de levar caldo ou como diriam “Não é porque o Joãozinho se jogou da ponte que você irá se jogar também”.

Com a fragmentação não só dos meios, mas também dos hábitos das pessoas, as audiências caem (paradoxalmente porque também estão fragmentadas) e é realmente complicado saber se uma ação publicitária ou a nova novela da Record vai alcançar o número de audiência desejada. Veja que não usei a expressão “dar certo”, pois será mesmo que a soma de audiência é importante nos meios digitais? Muito mais do que a atenção e o engajamento do consumidor?

Os vídeos “virais”, que foram por algum tempo tão desejados pelas empresas, possuem cada vez mais menos visitas. Se fizermos uma análise de listas dos vídeos mais vistos, veremos que a maioria são clipes de bandas, traillers de filmes e são, de certa forma, antigos. Aqueles vídeos malucos de marcas descoladas passam longe dessas listas.

É claro que, para se ter engajamento, é preciso pensar em conteúdo relevante e que seja realmente importante para o consumidor, mas não podemos deixar lado algumas características da nossa sociedade, pois mesmo com a fragmentação das audiências, ás vezes aparece uma Susan Boyle por aí.

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